domingo, 5 de dezembro de 2010

Extração e Caracterização do Amido


INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARANÁ – CAMPUS PALMAS

 
Bioquímica Básica

 
Gésika Kistemmacher
Jhonatan Marques Veloso

 
Extração e Caracterização do Amido

 

 

Palmas-PR
2010
1. OBJETIVO

O objetivo deste trabalho consiste em estudar os polissacarídeos, no caso deste experimento através do amido da batata, e identificá-lo como um carboidrato através de reações de coloração e precipitação.

 
2. INTRODUÇÃO

Os principais polissacarídeos encontrados na natureza são constituídos de glicose, um carboidrato. O amido que é um polissacarídeo estrutural das plantas, de reserva animal e reserva vegetal, são formados exclusivamente de glicose. A reação de fenol ácido sulfúrico pode ser utilizada para caracterizar a presença de glicose e carboidratos em geral. O mecanismo da reação baseia-se na formação de furfural e hidroximetil-furfural pela ação de um ácido forte sobre uma pentose e hexose.
O amido, um composto grande e complexo, é considerado a principal reserva das plantas armazenando nas células do parênquima amilífero, tecido vegetal presente nos tubérculos com células armazenadoras de amido de caules como o da batatinha e raízes como o da mandioca e de muitas algas. Dentro das células encontram-se na forma de dois principais grânulos: a amilose e amilopectina, polissacarídeos que diferem na estrutura molecular. Apresentam-se como pós finos de coloração esbranquiçada, formas e estratificações variáveis. A molécula de amilose não apresenta ramificações e, no espaço, apresenta estrutura helicoidal. Já a amilopectina, possui uma estrutura ramificada, sendo que os ligantes aparecem a cada 24-30 moléculas de glicose; a ligação entre asunidades de glicose é do tipo alfa 1-4 na mesma cadeia, porém, unindo as cadeias aparece asligações do tipo 1-6.
O grão de amido é constituído de hilo (ponto inicial de formação) e lamelas ou estrias(zonas claras e escuras). Na análise microscópica devem ser observadas características como aforma (esféricos, ovóides, poliédricos, periformes, elipsóides etc.), presença de lamelas, tipo de hilo(pontuado, estrelado, linear etc.) e estado de agregação.

 
3. MATERIAIS e REAGENTES


 
a) Solução de amido;
b) ácido sulfúrico concentrado;
c) reativo de Molisch - solução de ᾳ-naftol 5%;
d) solução de lugol;
e) solução saturada de sulfato de amônio;
f) álcool etílico;
g) béquer 250 mL;
h) erlernmeyer de 125 mL;
i) filtro de gases;

j) placa de aquecimento;

i) água deionizada.


 
4. PROCEDIMENTOS EXPERIMENTAIS:

4.1. Extração do amido:

Raspar um pedaço de batata, transferir a raspa para um béquer de 250mL. Adicionar 100mLde água destilada e agitar com um bastão de vidro. Filtrar e recolher o líquido num erlernmeyer de125mL. Deixar o amido depositar no fundo do enlernmeyer durante 10 minutos e remover cuidadosamente o líquido sobrenadante para descartá-lo. O que sobra no erlernmeyer é um depósito de amido.

 
4.2. Preparo de uma solução de amido:

Manter aproximadamente 150 mL de água fervendo em um béquer de 250 mL. Acrescentar aproximadamente 50 mL de água fria ao depósito de grãos de amido obtido anteriormente e adicionar esta suspensão de amido lentamente e com constante agitação, à água fervente. Continuar o aquecimento até que se forme uma solução opaca.

 
4.3. Reação do lugol

Em um tubo de ensaio pipetar 2 ml de solução de amido e adicionar 1 ou 2 gotas de lugol. Notar o aparecimento de cor azul intensa. Aquecer. Observar. Resfriar o tubo em água corrente. Observar.

 
4.4. Reação de Molish

Em um tubo de ensaio pipetar 2 ml de solução de amido e adicionar 3 gotas de alfa-naftol e com o tubo inclinado acrescentar 2,0 mL de ácido sulfúrico de modo que os dois liquidos não se misturem, observar a interface formada.

 
4.5. Precipitação do amido por solução saturada de sulfato de amônio

A 5ml de solução de amido adicionar 5ml de solução saturada de sulfato de amônio. Agitar fortemente e deixar em repouso por 10 minutos. Filtrar. Pesquisar, separadamente, no filtrado e no precipitado, a presença de amido pelo teste do lugol.

 
4.6. Precipitação do amido por álcool etílico

A 1ml de solução de amido adicionar 5ml de álcool etílico. Agitar. Filtrar e pesquisar amido como na experiência anterior, tanto no filtrado, como no precipitado.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1. Extração do amido

Ao raspar a batata com uma faca há o rompimento das células que a compõem, dentr odessas células há presença de amiloplastos, onde estão contidos os grânulos de amido. Com o rompimento das células os amiloplastos são liberados para o meio, que no caso do experimento é composto por 100ml de água, solubilizando-se. A agitação com o bastão de vidro é feita para influenciar ainda mais a liberação dos amiloplastos das células da batata. Filtra a solução obtida e espera o amido precipitar para retirar o sobrenadante e obter uma maior concentração de amido na solução.

 
5.2. Preparo de uma solução de amido

No preparo da solução de amido adicionou-se agua fria ao depósito de amido obtido nareação anterior para que depois essa solução resultante pudesse ser adicionada à água quentefazendo com que os amiloplastos se rompessem, liberando a amilose e a amino-pectina para o meio.A amostra obtida é uma solução esbranquiçada onde há a presença dos amidos citadosanteriormente permite a realização de reações de caracterização desse polissacarídio.

 
5.3. Reação do lugol

Após a adição de lugol na solução de amido é bem visível a coloração azul-escuro que se forma no tubo. A solução de amido fica azul-escura na presença de lugol, devido aquela formar um complexo colorido com o iodo presente neste. Sendo que a amilose dá origem a uma coloração negro-azulada, enquanto a amilopectina dá origem a uma coloração vermelho-violácea, o que não nos deixa concluir que a amilose encontrava-se em maior quantidade na solução do que a amilopectina devido ao predomínio da coloração azul-escuro. Ao aquecer a solução de amido e lugol esse complexo se dissocia,sofre uma hidrolize pelo calor, formando uma solução marrom.

 
5.4. Reação de Molish

Foi colocado em um tubo de ensaio 2 mL de solução de amido e acrescentado 3 gotas do reativo de Molish, ao acrescentar os 2 ml de H2SO4 concentrado com o tubo inclinado, formou-se 3 fases, sendo que a primeira ficou verde fraco transparente, no meio formou-se um anel vermelho quase roxo e encima ficou de cor branca meio opaca, devido a hidrólise acida, pois quando o tubo estava inclinado e foi acrescentado o acido, ocorreu a hidrólise liberando a glicose formando o furfural.

 

 
5.5. Precipitação do amido por solução saturada de sulfato de amônio

Depois de 10 minutos de repouso, observa-se a formação de um precipitado no fundo do tubo, sendo este de coloração branca e aspecto viscoso. Ele ocorre devido a adição de sulfato de amônio na solução de amido. Pois assim como as proteínas, o amido se solubiliza na água devido a presença de pontes de hidrogênio, o sulfato de amônio, sendo um sal muito solúvel, aumenta a força iônica desidratando o amido sendo que este precipita.
Quando adicionado o lugol no liquido filtrado, apresentou apenas a cor amarelada do lugol, evidenciando que não havia a presença de amido o liquido filtrado. O precipitado quando adicionado o lugol apresentou um coloração azul-preta, por ser composto essencialmente de amido.

 
5.6. Precipitação do amido por álcool etílico

Neste experimento também forma-se um precipitado com as mesmas características do precipitado descrito acima. Só que neste caso, a precipitação ocorre devido a adição de álcool etílico na solução de amido. O etanol é um solvente orgânico, possui grande solubilidade na água,assim, quando adicionado à solução de amido ele se solubiliza rompendo as interações amido-água, ou seja, as pontes de hidrogênio, fazendo com que este se precipite. Após filtrar-se a amostra, adiciona-se lugol tanto ao precipitado quanto a solução filtrada. Observa-se nesse ponto, a coloração do tubo fica amarelo-laranjado devido ao lugol. O precipitado, como esperado, adquiri cor azul-preta, por ser formado de amido.

 
6.CONCLUSÃO

A partir desta aula prática, foi possível trabalhar conteúdos abordados nas aulas teóricas sobre os carboidratos, o que ficou evidenciado de que a pratica comprovou o que estava escrito na didatica, o que torna o assunto mais atrativo, como também proporciona ao aluno a oportunidade de formular hipóteses e interpretar os resultados obtidos.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LEHNINGER, ALBERT LESTER. Princípios de bioquímica. 4ª edição. São Paulo: SARVIER,2006.

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